domingo, setembro 06, 2009

Longe se vai sonhando demais, mas onde se chega assim?


Há 10 anos eu...
queria ser crítica literária
desejava ter dinheiro para comprar todos os CDs que quisesse
achava que o namoradinho da época seria meu marido
torcia pelo impeachment de FHC e pela eleição de Lula
precisava dormir 12 horas por dia
temia ser obesa, ter espinhas no rosto e ficar feia
chorava quando assistia O Rei Leão
pensava que nunca inventariam nada melhor que Windows 95
sonhava que dali 10 anos as primaveras teriam mais flores, as pessoas não jogariam lixo nas ruas e eu seria completamente feliz.

Hoje eu...
quero ler muito mais do que consigo
desejo ter dinheiro para continuar pagando o plano de previdência
acho que bom mesmo é ter um companheiro
torço para que a esquerda brasileira reveja seus projetos políticos
preciso dormir 8 horas e correr 30 minutos por dia
temo não ter saúde para viver bem a minha maturidade
choro quando assisto documentários sobre os dramas do Brasil
penso que não há navegador melhor que o Firefox
sonho, ainda sonho, que daqui 10 anos tudo estará melhor.

Assim como na música, não sei aonde se chega sonhando demais. Mas com apenas 26 anos não quero a resposta. Quero apenas continuar buscando em sonhos, na vida, de alguma forma. O que eu busco? Também não sei. Talvez aquilo que me complete e me faça feliz. Talvez eu. Nos próximos muitos anos que virão (assim espero), vou tentar descobrir em mim o que me faz sentir assim: inquiridora, sonhadora, caçadora de mim.

Eu Caçador de Mim
Sérgio Magrão e Luiz Carlos de Sá

Por tanto amor
Por tanta emoção
A vida me fez assim
Doce ou atroz
Manso ou feroz
Eu, caçador de mim
Preso a canções
Entregue a paixões
Que nunca tiveram fim
Vou me encontrar
Longe do meu lugar
Eu, caçador de mim
Nada a temer senão o correr da luta
Nada a fazer senão esquecer o medo
Abrir o peito a força numa procura
Fugir as armadilhas da mata escura
Longe se vai sonhando demais
Mas onde se chega assim?
Vou descobrir o que me faz sentir
Eu, caçador de mim.

sábado, março 14, 2009

Que falta você me faz...

Lembra aquele dia que me pegou no colo e, insano, me atirou naquele que seria meu maior precipício? E eu fui, queda livre, gozando de toda a liberdade, toda segurança que me deu naquele momento.
Teve ainda aquela vez quando eu, insegura, me perguntava “é assim mesmo? Incômodo, conforto, querer sempre mais e nunca o fim?” Você, sutil, me mostrou que era real e, além disso, cochichou no meu ouvido “Não pára...deixa fluir...” Eu deixei. Me lembro de ter lhe dado uma piscadela, discretamente me curvando à sua sabedoria. E você sorriu.
Não dá para esquecer também quando descobrimos que, juntos, conseguíamos fazer da vida uma doce passagem, mesmo com todos os contratempos e contradições. Esses, com a gente junto, eram nada.
Mas você foi embora.
Não deixou telefone, endereço, sensações, e-mail ou qualquer resquício.
Deixou apenas um vazio. Um espaço que nada preenche.
Ninguém veste seu número!
A amizade cabe no espaço, mas sobram pequenos vãos. Não o preenche completamente.
A paixão? Não. Ela é inquieta demais para se encaixar em qualquer lacuna.
O tesão, pequenino, estreito, limitado. Se perde nessa imensidão que você ocupava.
Sinto saudade de você. Enquanto esteve comigo me fez mais humana, mais suave. Ainda realista, mas ponderada. Sublime presença que me fez descobrir “eu”.
E por tudo isso, ou apenas por isso, eu quero você de volta.
Amor. Sentimento completo, fundamental, eterno.
Que falta você me faz...

segunda-feira, dezembro 08, 2008

Acabou?

E foi assim, numa noite de quinta-feira, com céu limpo e estrelado, que tudo terminou.
Durante uns 20 minutos eu fiquei estranha. Não me peça para descrever, eu não conseguiria. Foi algo inédito e incômodo. Após entregar o último trabalho da faculdade, uma pergunta inconveniente sussurou no meu ouvido: e agora?
Pois é...e agora? Um misto de euforia e desamparo me abateu. Finalmente, mais um ciclo da minha vida encerrado. Projetos novos, pessoas novas, encontros novos. Tudo novo de novo, me aproveitando do verso de Moska. Mas...o que fazer sem meus amigos por perto? Onde encontrar pessoas para sentar e comer um salgado na cantina enquanto se discute a dialética na filosofia moderna? Em que corredores sentar-se despretenciosamente e passar horas rindo e falando banalidades?
Devo confessar que, reproduzindo os gestos dos boêmios de outrora, abracei-me ao meu rancor para diluí-lo em alguns copos de cerveja. Insólita fonte de prazer para quem vê a lucidez e o racionalismo como anti-depressivos mais eficazes. Mas João Antonio, de certo, não escreveria um conto sobre nós. Não cabemos na literatura, não somos enredo para um romance. Somos memória e saudade. Nada mais.
E é justamente esse passado saudoso que nos move na busca de um futuro melhor. Precisamos dele como parâmetro para nossa felicidade. Por isso, nada de lágrimas, dores, lamentos. Vamos em frente. Colocar projetos em prática; encontrar pessoas que estão por aí, nos esperando num lugar chamado destino; vamos realizar, acontecer, viver! Tudo pode dar certo, algo pode fracassar. Mas sigamos. É preciso contrariar Balzac e acreditar que, jamais, as ilusões serão perdidas.
Desejo, com toda a sinceridade que me é possível, o sucesso na sua maior dimensão à todos nós. Em algum lugar, lá, no futuro, a gente se encontra.
Mas agora, por favor garçon. Mais uma cerveja.

quarta-feira, outubro 22, 2008

Volta

Programei acordar as 8 e meia, tomar banho, café da manhã, ir à academia, voltar, almoçar um grelhado, pouco arroz e feijão, muitas verduras , gelatina light de sobremesa, sentar diante do computador e escrever um pouco do livro.
Mas,
acordei 11 e meia, almocei feijoada – repeti o prato – e a sobremesa foi sorvete de côco com abacaxi. Depois, ao invés de escrever, fui fazer os cálculos das minhas dívidas e quase tive uma indigestão.
No entanto,
a indigestão não aconteceu porque fui chamadas às pressas para uma entrevista com um saxofonista muito simpático. Ver a passagem de som do cara foi um ótimo digestivo. A entrevista aconteceu conforme devia e, de lá, eu e meus dois amigos (entrevistadores também) fomos para um boteco. Tomei uma coca zero, comi um pastel e falei sobre sexo. O clima estava ótimo,
porém,
eu precisei ir para a faculdade. E ir para lá, faltando apenas 50 dias para me formar, é como ser convocado para a seleção quando o próximo jogo do clube é com o líder do campeonato de quem se está distante apenas um ponto na tabela (Kaká certamente entende o que isso significa...). Depois de mendigar presença e fazer cara de boa moça para a professora – como nos tempos de escola, penso em voltar para casa.
Contudo,
eu e minha amiga fomos para o Baiano tomar refrigerante não light (ainda assim, menos calórico que cerveja) e falar sobre...nada. Às vezes é bom sentar com pessoas que se gosta para falar sobre tudo o que não significa absolutamente nada. O meu racionalismo inconveniente, claro, tinha que estragar o momento. Lembrei que estou gorda, cheia de dívidas, sem um amante, com o projeto de fim de curso estagnado e cansada da minha vida. O papo começou ficar chato e, por sorte, deu a hora de vir para casa. A sensação de fracasso tomou conta e eu decidi dormir.
Todavia
a falta de sono impediu que eu fizesse isso. Fui ler. E ouvir música. Luis Fernando Veríssimo e Lulu Santos. Um me inspirou escrever. O outro me fez sentir vontade de sair cantando “Quando um certo alguém desperta o sentimento é melhor não resistir e se entregaaaaaaaaaaaar!!!!!!”. Mas o que me inspirou escrever, me desanimou. Ele parece ter roubado todo o estilo da escrita para si. Lembrei do meu texto miserável. Pior. Li meu texto miserável. Desanimei. O outro que despertou o meu desejo de cantarolar, me fez perceber que não há um certo alguém em minha vida. Esmoreci. Voltou a crise.
Entretanto,
chorar na frente do computador é muito dramático. Então, li algumas piadas num site de futilidades e ouvi umas musicas de balada. Melhorei. Já estava me dando por satisfeita quando vi, no canto da página de um site, a notícia “Sábado, a partir das 16 horas, tem festa no Pacaembu”. Fim da crise. Sorriso no rosto, noite tranqüila de sono, bom humor ao despertar.
Afinal,
ser corintiana...compensa todos os meus fracassos.
(sigo acreditando que o futebol é uma grande metáfora da vida)

sábado, agosto 30, 2008

Fora de moda

Sabe o que vai usar no próximo verão?
Não!?
Cafona.
Então presta atenção nas dicas, criatura sem personalidade:
Algodão, flores, xadrez, azul e vermelho.
Afetos rasos, transas casuais, drogas naturais.
Opa!
Pára tudo!!
Isso não é tendência dessa estação!
Isso já vem de verões passados. E primaveras. E invernos.
Isso é a moda fashion século XXI!
Não sabia!?
Ahh...pessoa sem glamour.
Você tem um tubinho preto?
Esquece!
Aquela combinação t-shirt, jeans e sandália plataforma?
Joga no lixo!
Amor? Romantismo? Vida a dois?
Out. Totalmente out.
A moda agora é ser livre. Prático. Efêmero.
É meu bem. Mundo moderno.
Sociedade da informação, pessoas independentes, tudo muito rápido, sem tempo para sentimentalismos.
Não gostou?
Quer continuar fora de moda?
Então boa sorte porque o basiquinho está em falta no mercado.
Pouca gente usando. Quase ninguém procurando.
Acorda, menina!
Deixa de ser clichê!
Vai me dizer que você quer continuar usando jeans tradicional, camiseta branca e all star preto?
Vai continuar com aquela idéia kitsch de amar, ser amado e ter uma familia com o seu amor??
Deixa disso. Seja fashion!
Pega um vestido de gabardine amarelo (cor intensa e divertida, a cara do momento), põe um cinto de elástico, sandália de couro, pulseira de resina, bolsa gigante e óculos aviador.
Vai para a vida!
Eu, como não sei combinar as cores, os tecidos e os acessórios, continuo apostando no look básico.
Só com ele me sinto bem vestida.

quarta-feira, agosto 20, 2008

hahahahahaha

As últimas piadas da minha vida são ótimas!
Ria comigo:
- em setembro 12,75% do meu salário vai para pagar juros no banco
hahahahahaha
- faço regime desde sempre, não como doces há 1 mês e ainda não perdi nem um quilo
hahahahahahahaha
- estou no último semestre da faculdade, tenho um artigo científico para fazer e não faço idéia do corpus da pesquisa...aliás...eu não tenho pesquisa
hahahahahahahahahah
-aquele cara, aquele cara mesmo, falou que eu fui uma das pessoas mais importantes da vida dele...e o que é mais engraçado...falou isso por telefone!!!
hahahahahahahahahahahahah
(pode rir mais porque essa piada é de um palhaço profissional)
hahahahahahahahahahahahahahah
- agora, segura pra não cagar nas calças...essa é a melhor de todas...se não for aguentar o tranco nem leia....lá vai: o Ministro deu aumento em julho...a Ministra negou em agosto....o Presidente não sabe o que está acontecendo e só vai resolver isso em setembro...e em outubro...outubro é meu aniversário...e o presente veio adiantado...puuuuuuuuuuuuuta presente de grego!!!
hahahahahahahahahahahahahahahahahahahah
Ai, ai...tá doendo a barriga? tá faltando ar? não aguenta mais??
nem eu...
hahahahahahahahah
mas lá vai...a última...prometo que é a última...
- eu moro em bauru...e o pior...eu voto em bauru...e esse ano tem eleição...e os candidatos..
hahahahahahahahahahahahaha
os candidatos...
hahahahahahahahahahahahahahah
entendeu né?? os candidatos...hahahahahahahahah
ok, ok...parei...antes que você morra de tanto rir...

domingo, julho 27, 2008

Leitores

Este blog não tem leitores.
Ok, não vou ser injusta com os comentadores.
Retifico: este blog tem poucos leitores.
Por que será?


Algumas hipóteses:


1. É muito pessoal
Plausível. Pratico aqui o exercício narcisista de descrever quem sou eu (ou suponho ser ou gostaria de ser ou suponho que gostaria de ser). Como não sou atriz polêmica, não sou ex-prostituta com livro publicado nem articulista da Folha ou do Estadão, quem vai se interessar em ler fragmentos da autobiografia de uma humana qualquer?


2. Não há um trabalho efetivo de divulgação
Negativo. TODOS os meus amigos sabem que eu tenho um blog. Minha mãe também sabe. Só que ela não comenta. Na verdade ela não usa internet. Mas meus amigos usam. E quase ninguém comenta. Talvez não leiam. No entanto, se não lêem não é por falta de divulgação.


3. O texto é ruim
Correto. Gosto de escrever, mas ainda estou aprendendo. Não sou boa em metáforas, uso mal a gramática e estilo também me falta. Com isso escrevo muitas vezes de forma prolixa, cansativa e vaga.


Conclusão:
Preciso escrever melhor e sobre assuntos interessantes para atrair leitores.


Os jornais diários têm leitores.
E em grande quantidade.
Por que será?


Algumas hipóteses:


1. Tem sempre algo muito pessoal
Plausível. Histórias da vida real, bem dramáticas e inusitadas, promovem a curiosidade e a consequente sensação prazerosa de não ser tão miserável ou desgraçado quanto o personagem da notícia (algo do tipo "o inferno são os outros, graças a Deus").


2. Há um trabalho efetivo de divulgação
Correto. Por onde você se informa? Pela TV, talvez seja ainda a resposta dominante. Refaço a pergunta: por onde você se informa melhor? Ahhh...aí a coisa muda de figura. As melhores notícias estão nos jornais. Quem disse isso? Não sei. Mas quem falou convenceu tanto que a idéia ainda vigora no século XXI.


3. O texto é bom
Negativo. Textos de jornal são rasos, fracos na argumentação e pobre nas idéias. Sem contar o vocabulário de poucas palavras e os recursos técnicos do jornalismo quase sempre mal empregados.


Conclusão:
Escreva de qualquer jeito, sobre qualquer coisa e será lido.


Dúvida:
Será preciso reinventar os leitores?